Rita Braga

Sobre a autora

A música esteve sempre presente desde a minha infância, muito cedo. Acho que desde quando foi fisiologicamente possível, eu cantei.

                      

Eu tinha 4-5 anos quando meus pais se desquitaram. Minhas memórias musicais começam a partir daí: minha mãe sabia cantar, é afinada. Mas cantava pouco. Tinha que educar 3 filhos, 2 garotos pré-adolescentes e eu. Começo dos anos 80. Dureza.

 

Quando eu visitava meu pai, nos fins de semana, ouvia sempre seus discos de vinil, a maioria MPB. Especialmente Caetano. Lembro bem das capas com todas aquelas informações e as letras que eu acompanhava cantando. 

Mais tarde meus irmãos descobriram violões, guitarras, contrabaixos. Um deles tinha formava bandas que ensaiavam no 'salão/garagem' da nossa casa, que aliás estava sempre em reforma. Era um acorde para cada marretada... Eu ficava lá, assistindo ao ensaios e me imaginava como a vocalista.

 

Estudei no conservatório da minha cidade ainda adolescente. Fiz ULM (hoje EMESP) Estudei na Faculdade e Letras da USP (adoro escrever e jornalismo foi uma carreira que eu considerei seriamente antes de tentar Arquitetura na FAU e acabar fazendo 1 semestre apenas na FFLCH). Fiz carreira na área de Língua Inglesa, mas quando chegou a hora de escolher entre a linguagem falada ou musical, não teve jeito. O pessoal da escola reclamou, mas eu não me arrependo. Nem um pouquinho. Sorry, boss!

 

Muitos altos e baixos, como é de se esperar. E no meio disso foi o Dino Barioni que me ensinou que choro também pode ser cantado. Fiquei tão contente com a informação que fomos morar juntos e assim permanecemos. Cantei ‘Noites Cariocas’ no Premio Visa de MPB, promovido pela Rádio Eldorado de São Paulo. Foi em 1999. Não parei.

 

De lá pra cá descobri muitas mulheres choronas, cantoras de choro, instrumentistas, produtoras. Agora em 2020, com um cenário político surreal e sem MinC me deu vontade de escrever sobre elas, sobre nós e sobre as dores e delícias de fazer música, de fazer choro.